sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Missa e Adoração ao Santíssimo Sacramento


APRENDENDO DA HISTÓRIA

por Frei José Ariovaldo da Silva, Ofm

hega a ser impressionante o retorno às manifestações de adoração e louvores ao Santíssimo Sacramento, nestes últimos anos, durante a celebração do memorial do sacrifício de Cristo, isto é, durante (ou imediatamente após) a missa. Há padres que, na hora da consagração, levantam devagar e solenemente, bem alto, a hóstia consagrada e, depois, o cálice, para adoração dos fiéis. E há pessoas que exclamam, sussurrando: “Meu Jesus, eu te adoro”.


Óleo sobre tela de Anton Maria Panico - 1560 - 1609, igreja de San Salvatore - Itália

Há padres que, logo após a consagração, chegam a interromper a Oração Eucarística, saindo com o Santíssimo Sacramento em procissão pela nave da Igreja – chamam essa procissão de “passeio” – para adoração dos fiéis com manifestações de aplausos, toques para receber a cura, etc. Há comunidades que, após a consagração, chegam a substituir a aclamação memorial (“Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição”) por cantos de adoração e louvor ao Santíssimo Sacramento: “Eu te adoro, hóstia divina”, etc.

Vi na televisão: um padre, assim que terminou a missa presidida pelo bispo, anunciou solenemente para a multidão reunida e para os milhões de telespectadores: “Meus irmãos, agora vamos receber e bênção do Santíssimo Sacramento... Não existe bênção mais importante do que esta!”. Pelo visto, deu a entender que a maior bênção de todas, isto é, a própria participação no sacrifício do Senhor, na missa recém-celebrada, não foi a mais importante!...

São alguns exemplos ilustrativos de como vem se resgatando por aí o sentido da missa, mais como momento de adoração ao Santíssimo do que como celebração do mistério pascal na forma de uma ceia. Inclusive com manifestações de adoração imediatamente após a missa, colocando-a em segundo plano... São costumes que tiveram uma origem, bem como um motivo pelo qual se originaram. Vejamos o que diz a história a respeito. Esta pode nos ensinar muita coisa e iluminar nossas práticas eucarísticas hoje.

A prática de adorar o Santíssimo Sacramento durante a missa se desenvolveu com toda força na passagem do primeiro para o segundo milênio. Em plena Idade Média, portanto. Antes, isto é, no primeiro milênio, sobretudo até o século 9, a eucaristia era vista e vivida, sobretudo como celebração memorial da páscoa de Cristo, em clima de ação de graças, da qual participava ativamente toda a assembléia, tendo como ponto alto desta participação a comunhão no corpo e sangue de Cristo.

Não havia adoração ao Santíssimo durante a missa, como se entende e se faz hoje. O ponto alto da vida cristã era a participação plena na celebração eucarística pela comunhão, e a festa mais importante do ano era a Páscoa. Aos poucos, porém, sobretudo a partir dos séculos 8 e 9, a missa vai se tornando cada vez mais “coisa do padre”. Os padres adotam o costume de rezar a missa a sós. E, mesmo havendo assembléia, eles vão fazendo tudo sozinho (orações, leituras, etc.), em voz baixa, de costas para o povo, em latim.

E o povo, por sua vez, assimila o costume de “assistir à missa do padre”. Não participa mais, como era antes. Deixa de participar, inclusive, da comunhão, esquecendo o que Jesus pediu, naquele seu dramático momento de despedida: “Tomai e comei... tomai e bebei”. Outro dado curioso: a partir do final do século 9, por influência dos povos franco-germânicos, os cristãos de nossa Igreja romana absorvem uma mentalidade quase doentia em relação a Deus, vendo nele um ser terrível, ameaçador, vigiando e controlando nossas atitudes.

"Não havia adoração ao Santíssimo durante a missa,
como se entende e se faz hoje.
O ponto alto da vida cristã era a participação plena
na celebração eucarística pela comunhão,
e a festa mais importante do ano era a Páscoa".

Ligado a isso, acentua-se uma mentalidade obsessiva em relação ao pecado, ao castigo, ao inferno e purgatório. O clima era, pois, de temor e até de pavor. Resultado: o povo fica com medo de comungar, pois comungar significava aproximar-se do Juiz terrível e ameaçador e, possivelmente, correr perigo de castigo pelos pecados. Assim, no século 12, praticamente ninguém comungava mais. Comungar na missa deixou de ser importante e virou um costume que atravessou todo o segundo milênio.

O povo vai à celebração da ceia memorial do Senhor, mas não come nem bebe mais da ceia, como faziam os cristãos nos primeiros séculos do cristianismo. Como alternativa à participação plena na missa, o povo (enquanto o padre “faz a missa” lá no altar distante) passa a se entreter com rezas, novenas, devoções, etc. E a comunhão? O povo substituiu-a pela adoração da hóstia. Ver a hóstia, de longe, adorando-a, tornou-se uma forma de “comungar”. Por isso que, então, os padres adotaram o costume de levantar bem alto a hóstia e, mais tarde, o cálice, na hora da consagração, para o povo ver e prestar adoração ao Senhor terrível que “desceu sobre o altar”, na hóstia consagrada e no cálice de vinho.

O desejo de ver a hóstia tornou-se então uma verdadeira febre para os fiéis, o ponto alto, o momento mais importante da missa. Introduziram até o costume de tocar campainhas na hora da elevação, exatamente para chamar a atenção e enfatizar o momento. Bastava ver a hóstia e o povo já se dava por muito feliz e satisfeito. Tudo isso virou um costume... Outra informação: a partir do século 9, mas com maior vigor a partir do século 11, alguns teólogos de influência, dentre os quais se destacam Berengário de Tours, andaram espalhando idéias que colocavam em dúvida a presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados.

A Igreja, em reação a esses movimentos heréticos, desencadeou toda uma campanha no sentido de afirmar a fé na presença real, reforçando e propagando a prática da adoração ao Santíssimo Sacramento, dentro e fora da missa. Fora da missa, através de procissões e bênçãos do Santíssimo, etc. Dentro da missa, através do costume de “ver a hóstia” e adorá-la. Resultado: a missa, na mentalidade de uma grande maioria de católicos romanos, distante do pensamento de Jesus e da prática dos cristãos dos primeiros séculos, transforma-se numa espécie de “fábrica de hóstia consagrada” para ser adorada.

Como se vê, o costume de adorar o Santíssimo Sacramento, inclusive durante a missa, foi desenvolvido na Idade Média, quando a Igreja havia perdido de vista o verdadeiro sentido da missa como celebração memorial da páscoa de Cristo e nossa páscoa (vale lembrar o que Jesus pediu: “Fazei isto em memória de mim”), e que tem seu ponto alto no momento da ceia (comunhão). A missa, em vez de ser em primeiro lugar um momento de adoração ao Pai, através do memorial do sacrifício de Cristo que se entrega, na força do Espírito Santo, transformou-se (da Idade Média para cá) simplesmente numa ocasião privilegiada de adoração à hóstia consagrada (ao Cristo presente na hóstia).

Hoje, com o Concílio Vaticano II, celebrado há 40 anos, somos convocados a colocar as coisas no seu justo lugar. Missa é missa. Adoração ao Santíssimo é outra coisa bem distinta (com seu reconhecido sentido e valor). A mistura é coisa da Idade Média que, como vimos, acabou colocando a adoração ao Santíssimo acima do verdadeiro sentido da missa. Hoje, com o Concílio, somos chamados a recuperar o distinto sentido e valor de ambas (sem misturar nem confundir!), devendo a missa ser compreendida como “fonte e ápice de toda a vida cristã” (Lúmen Gentil n.11).

Espera no Senhor e faça o bem



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Passos para fazer uma revisão de vida

Dizer 'sim' e dizer 'não'

Quando dizemos "não" a nós mesmos aprendemos a autodisciplina

Você já notou como lida com seus impulsos, com aquela vontade irresistível de fazer algo? Controlar nossos impulsos significa o quanto conseguimos ser capazes de adiar a gratificação por algo e, com isso, fazer escolhas mais inteligentes ou adaptáveis. Sabe o que é mais interessante: o controle dos impulsos se dá em nossa infância, quando lidamos com as primeiras frustrações e gratificações.

Quando dizemos “não” a nós mesmos, aprendemos a autodisciplina, palavra tão conhecida entre nós e citada em revistas, artigos, programas de TV. Essa habilidade é capaz de gerar felicidade e sucesso.

Nisso começa o desafio dos pais, cuidadores, professores, pois crianças nunca aprendem a autodisciplina sozinhas, mas também não aprendem na escola ou na sala de aula. Não há curso para isso [autodisciplina]. Aí entra a habilidade dos pais em dar limites aos filhos e ensiná-los que, para cada ato, há uma consequência, que as escolhas levam a determinados caminhos, positivos ou negativos.

Ao deixar claro para uma criança quais as expectativas que se tem sobre algo ou os limites e o resultado sobre aquilo que não se cumpriu, tudo fica mais claro. Ou seja, a criança aprende, desde pequena, que, se optar por algo errado, receberá sua escolha em troca, experimentando o resultado negativo das escolhas feitas.

O que é mais complicado quando é necessário dizer “não” para seu filho? Muitos pais podem dizer que a dificuldade está em ver que o filho ficou infeliz, ficou triste, desapontado. Claro que, como pais, o que se tenta fazer muitas vezes é, de fato, evitar o sofrimento, mas isso se torna uma forma enganosa de proteger. Será muito mais produtivo dar aos filhos formas de lidar com a perda e, com isso, criar formas de “amortecer” as situações e lindar com os obstáculos da vida.

Dizer “não” é muito mais complicado do que dizer “sim”; porém, olhando para o futuro os resultados de um “sim” e um “não”, no tempo certo, fazem toda a diferença quando seu filho for adolescente ou adulto. Não diga “sim” para acalmar o choro ou a irritação do seu filho, mas diga “sim” quando é necessário e “não” sempre que preciso, para que não colha dificuldades em longo prazo.

Na autenticidade e na democracia da relação pai e filho, nos dias atuais, cresce e liberdade em dizer o que se pensa e posicionar-se, porém, não podemos nos esquecer do papel de modelagem de comportamento que damos ao filhos. “Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites — e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. É necessário que a criança interiorize a ideia de que poderá fazer muitas, milhares, a maioria das coisas que deseja — mas nem tudo e nem sempre. Essa diferença pode parecer sutil, mas é fundamental.” (Zagury, T.)

Esse é o desafio da persistência, do amor, do cuidado e da certeza que um “sim” e um “não” bem colocados, e ao seu tempo, farão toda a diferença na construção de adultos saudáveis e resistentes aos embates da vida.

http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12608

Deus sempre tem o melhor para você



O Senhor está colocando Sua Igreja numa nova marcha

O Senhor derrama sobre nós o Seu Espírito Santo, sem medida, justamente em decorrência das tarefas que precisam ser realizadas. Por causa das situações que vivemos, tanto em termos religiosos como sociais e políticos, o Senhor derrama o Seu Espírito de maneira nova, extraordinária, sobre os nossos bispos, padres, grupos, comunidades, casas religiosas, seminários; enfim, sobre todos, porque é a Igreja por completo que está vivendo hoje uma extraordinária ação profética.

Quando tantos querem decretar a falência de Deus e de Sua Igreja, diante das seitas, diante da situação de racionalismo e de descrença, o Senhor vem dar Sua resposta. A resposta de Deus é o derramamento do Espírito Santo. É assim que Ele reage diante de toda situação: derramando uma nova e extraordinária efusão do Espírito Santo.

Não imaginamos o que Deus pode fazer porque, como o anjo disse a Virgem Maria: "[...] pois para Deus nada é impossível" (cf. Lc 1,37). O Senhor está constantemente renovando a Igreja. Precisamos ser dóceis e acolher essa renovação. O Senhor está colocando Sua Igreja numa nova marcha, Ele a está levando a ser plenamente carismática, evangelizadora e profética, e por isso derrama sobre ela o Seu Espírito. É preciso acolhê-Lo!

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova