terça-feira, 21 de junho de 2011
Pecados públicos
Tudo tem sido assim. A socialização da notícia é um fato novo, interessantíssimo. Possibilita a informação aos que não estavam diante da TV no momento em que foi exibida.A internet nos oferece uma porta que nos devolve ao passado. Fico fascinado com a possibilidade de rever as aberturas dos programas do meu tempo de infância. As imagens que permaneciam vivas no inconsciente reencontram a realidade das cores, movimentos e dos sons.Mas o que fazer quando a imagem disponível refere-se ao momento trágico da vida de uma pessoa? Indigência exposta, ferida que foi cavada pelos dedos pontiagudos da fragilidade humana? Ainda é cedo para dizer. Este novo tempo ainda balbucia suas primeiras palavras.
O certo é que a imagem eterniza o erro, o deslize. Ficará para posteridade. Estará resguardada, assim como o museu resguarda documentos que nos recordam a história do mundo.
Coisas da contemporaneidade. Os recursos tecnológicos nos permitem eternizar belezas e feiúras.Uma fala sobre o erro. Eles nascem de nossa condição humana. Somos falíveis. É estatuto que não podemos negar. Somos insuficientes, como tão bem sugeriu o filósofo francês, Blaise Pascal. O bem que conhecemos nem sempre atinge nossas ações. Todo mundo erra. Uns mais, outros menos. Admitir os erros é questão de maturidade. Esperamos que todos o façam. É nobre assumir a verdade, esclarecer os fatos. Mais que isso. É necessário assumir as conseqüências jurídicas e morais dos erros cometidos. Não se trata de sugerir acobertamento, nem tampouco solicitar que afrouxem as regras. Quero apenas refletir sobre uma das inadequações que a vida moderna estabeleceu para a condição humana.Tenho aprendido que o direito de colocar uma pedra sobre o erro faz parte de toda experiência de reconciliação pessoal. Virar a página, recomeçar, esquecer o peso do deslize é fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda. É como ajeitar uma peça que ficou sem encaixe. O prosseguimento requer adequação dos desajustes. E isso requer esquecer. Depois de pagar pelo erro cometido a pessoa deveria ter o direito de perder o peso da culpa. O arrependimento edifica, mas a culpa destrói.
Mas como perder o malefício do erro se a imagem perpetua no tempo o que na alma não queremos mais trazer? Nasce o impasse. O homem hoje perdoado ainda permanecerá aprisionado na imagem. A vida virtual não liberta a real, mas a coloca na perspectiva de um julgamento eterno. A morbidez do momento não se esvai da imagem. Será recordada toda vez que alguém se sentir no direito de retirar a pedra da sepultura. E assim o passado não passa, mas permanece digitalizado, pronto para reacender a dor moral que a imagem recorda.Estamos na era dos pecados públicos. Acusadores e defensores se digladiam nos inúmeros territórios da vida virtual. Ambos a acenderem o fogo que indica o lugar onde a vítima padece. A alguns o anonimato encoraja. Gritam suas denúncias como se estivessem protegidos por uma blindagem moral. Como se também não cometessem erros. Como se estivessem em estado de absoluta coerência. No conforto de suas histórias preservadas, empunham as pedras para atacar os eleitos do momento.
O fato é que o pecador público exerce o papel de vítima expiatória social. Nele todas as iras são depositadas porque nele todas as misérias são reconhecidas. No pecado do outro nós também queremos purgar o pecado que está em nós. Em formatos diferentes, mas está. Crimes menores, maiores; não sei. Mas crimes. Deslizes diários que nos recordam que somos território da indigência. O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo. Em sua dignidade negada ele se transforma em mecanismo de purificação coletiva. É preciso cautela. Nossos gritos de indignação nem sempre são sinceros. Podem estar a serviço de nossos medos. Ao gritar a defesa ou a condenação podemos criar a doce e temporária sensação de que o erro é uma realidade que não nos pertence. Assumimos o direito de nos excluir da classe dos miseráveis, porque enquanto o pecador permanecer exposto em sua miséria, nós nos sentiremos protegidos.Mas essa proteção que não protege é a mãe da hipocrisia. Dela não podemos esperar crescimento humano, nem tampouco o florescimento da misericórdia. Uma coisa é certa. Quando a misericórdia deixa de fazer parte da vida humana, tudo fica mais difícil. É a partir dela que podemos reencontrar o caminho. O erro humano só pode ser superado quando aquele que erra encontra um espaço misericordioso que o ajude a reorientar a conduta.
Nisso somos todos iguais. Acusadores e defensores. Ou há alguém entre nós que nunca tenha necessitado de ser olhado com misericórida?http://www.fabiodemelo.com.br/
Leituras do dia 21 06 2011
5Ló, que acompanhava Abrão, também tinha ovelhas, gado e tendas.
6A região já não bastava para os dois,
pois seus rebanhos eram demasiado numerosos,
para poderem morar juntos.
7Surgiram discórdias entre os pastores
que cuidavam da criação de Abrão, e os pastores de Ló.
Naquele tempo, os cananeus e os fereseus ainda
habitavam naquela terra.
8Abrão disse a Ló:
'Não deve haver discórdia entre nós
e entre os nossos pastores,
pois somos irmãos.
9Estás vendo toda esta terra diante de ti?
Pois bem, peço-te, separa-te de mim.
Se fores para a esquerda, eu irei para a direita;
Se fores para a direita, eu irei para a esquerda'.
10Levantando os olhos,
Ló viu que toda a região em torno do Jordão
era por toda a parte irrigada
- isso antes que o Senhor destruísse Sodoma e Gomorra -,
era como um jardim do Senhor
e como o Egito,
até a altura de Segor.
11Ló escolheu, então, para si a região em torno do Jordão,
e foi para oriente.
Foi assim que os dois se separaram um do outro.
12Abrão habitou na terra de Canaã,
enquanto que Ló se estabeleceu nas cidades próximas do Jordão,
e armou suas tendas até Sodoma.
13Ora, os habitantes de Sodoma eram péssimos,
e grandes pecadores diante do Senhor.
14E o Senhor disse a Abrão,
depois que Ló se separou dele:
'Ergue os olhos e, do lugar onde estás,
olha para o norte e para o sul,
para o oriente e para o ocidente:
15toda essa terra que estás vendo, eu a darei
a ti e à tua descendência para sempre.
16Tornarei tua descendência tão numerosa
como o pó da terra.
Se alguém puder contar os grãos do pó da terra,
então poderá contar a tua descendência.
17Levanta-te e percorre este país de ponta a ponta,
porque é a ti que o darei.
18Tendo desarmado suas tendas,
Abrão foi morar junto ao Carvalho de Mambré, que está em Hebron,
e ali construiu um altar ao Senhor.
Palavra do Senhor.
R. Senhor, quem morará em vosso Monte Santo?
2É aquele que caminha sem pecado*
e pratica a justiça fielmente;
3aque pensa a verdade no seu íntimo *
3be não solta em calúnias sua língua.R.
3cQue em nada prejudica o seu irmão,*
3dnem cobre de insultos seu vizinho;
4aque não dá valor algum ao homem ímpio,*
4bmas honra os que respeitam o Senhor.R.
5não empresta o seu dinheiro com usura,
nem se deixa subornar contra o inocente.*
Jamais vacilará quem vive assim!R.
fazei também a eles.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
6Não deis aos cães as coisas santas,
nem atireis vossas pérolas aos porcos;
para que eles não as pisem com os pés
e, voltando-se contra vós, vos despedacem.
12Tudo quanto quereis que os outros vos façam,
fazei também a eles.
Nisto consiste a Lei e os Profetas.
13Entrai pela porta estreita,
porque larga é a porta
e espaçoso é o caminho que leva à perdição,
e muitos são os que entram por ele!
14Como é estreita a porta
e apertado o caminho que leva à vida!
E são poucos os que o encontram!
Palavra da Salvação.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
FRASE DO DIA
"Sou totalmente a favor do casamento gay entre os politicos.
Tudo que venha a contribuir para que eles não se reproduzam...
é bom para o Brasil."
Padre Reginaldo Manzotti no Domingão
Quando você lê o Ágape, em oração, você aprende a conviver

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos.
Assim, se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por causa disso, decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados.
Amados, no Ágape, nós precisamos fazer uma escolha: desaparecer da face da Terra ou aceitar os espinhos dos amigos.
Com sabedoria ( Ágape ), que você decida ficar junto para se agasalhar e sobreviver.
Aprendendo a conviver com as feridas, que a relação com outras pessoas podem causar e o mais importante é aceitar o que o outro "pode" oferecer.
Amados, quem leu o Ágape compreende e entende que o melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e consegue, no Ágape, admirar as suas qualidades.